segunda-feira, 9 de maio de 2016

"Parte do propósito da nossa vida é aprender a criar laços saudáveis com os outros. Saber amar as pessoas de uma forma saudável em vez de as "melhorar"" Doreen Virtue

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O EGO E AS SUAS MANIPULAÇÕES


A culpa pode ser considerada como uma forma de manipulação. Perante a culpa punimo-nos e vitimizamo-nos. A culpa é uma forma de flagelo e ao mesmo tempo uma chamada de atenção do Ego: “Eu tenho culpa! Eu sou má! Eu errei!”, ou seja, a culpa é uma manifestação do ego pela negativa. A culpa é uma forma de o ego criar uma prisão ilusória que nos obriga a ver a realidade através do crivo do remorso e da censura. É uma forma de controlo, um modo do nosso ego se manter “na boca de cena”, isto é, uma forma do ego manter a nossa atenção sobre si próprio, manter-se como o protagonista da nossa vida. Na culpa, o ego continua a ser o grande actor, só que a apresentar-se num papel dramático.
Como tudo o que é desconfortável, a culpa é uma aprendizagem. O caminho da libertação da culpa conduzirá a um caminho de desapego e de aceitação. Deixemos que o rio da consciência dilua a culpa nas suas águas e permita que integremos a responsabilidade de cada acto como uma caminhada no trilho da nossa essência. Aí o erro será, apenas mais um passo do nosso CAMINHO.

Fica uma meditação de Louise Hay e para quem quiser pode tentar mais informação de outras fontes neste site ou neste site (há muitos mais, sugiro estes como pontos de partida!)


Eu liberto-me de todos os sentimentos de culpa 



No passado, eu vivia ensombrada pela culpa. Eu sentia que estava sempre errada. Eu não fazia as coisas bem. Eu estava sempre a pedir desculpa. Eu não me perdoava por coisas que tinha feito. Eu manipulava os outros, tal como me tinham manipulado a mim. Mas agora sei que a culpa não resolve nada. Se no passado eu fiz algo de que me arrependo, eu simplesmente deixo de o fazer! Se puder, dou satisfações à pessoa que ofendi. Se não puder, simplesmente não volto a repetir o comportamento. Eu sei que a culpa atrai o castigo e que o castigo cria dor. Assim, eu perdoo-me e perdoo os outros. Eu saio da prisão que construí para mim mesma.

in “Sabedoria Interior – Meditações para o Coração e a Alma” de Louise Hay

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A HISTÓRIA DO TONGLEN E O PODER DA COMPAIXÃO


Meus estudantes sempre vêm até mim para perguntar. “O sofrimento do meu amigo ou parente me perturba demais e quero realmente ajudar. Mas, sinto que não tenho amor bastante para isso. A compaixão que desejo mostrar está bloqueada. Que posso fazer?”. Todos nós conhecemos a triste frustração de não sabermos encontrar em nossos corações amor e compaixão pelas pessoas que estão sofrendo ao nosso redor. Falta-nos, assim, força suficiente para ajudá-los.

Uma das grandes qualidades da tradição budista é que ela desenvolveu um conjunto de práticas que realmente podem ajudar as pessoas em situações como essa, podem nutrir interiormente, e fazer com que você fique preenchido pelo poder, o talento cheio de alegria e entusiasmo que o tornarão capaz de purificar sua mente e desbloquear seu coração, possibilitando a atuação das energias curativas da sabedoria e da compaixão que vão transformar a situação em que você se encontra.

Das praticas que conheço a do Tonglen, que em tibetano quer dizer “dando e recebendo”, é das mais úteis e poderosas. Quando você se encontra preso em si mesmo, o Tonglen abre o seu ser para a verdade do sofrimento dos outros; quando o seu coração está bloqueado, o Tonglen destrói as forças que o obstruem, e quando se sente distante de quem está sofrendo diante de você, ou tomado pela amargura e o desespero, o Tonglen o ajuda a encontrar em si mesmo e revelar a radiância amorosa e expansiva da sua verdadeira natureza. Nenhuma outra prática que conheço é tão eficiente para destruir o auto-apego, a valorização do eu, a absorção do ego em si mesmo, que são a raiz de todo sofrimento e a essência de toda dureza de coração.
Um dos maiores mestres do Tonglen no Tibete foi Geshe Chekhawa, que viveu no século XI. Era extremamente instruído e realizado em muitas formas diferentes de meditação. Um dia, estando no quarto de seu mestre, viu um livro aberto e deparou com estas linhas:
Dê todo seu lucro e seus ganhos para os outros.
Tome para si todos os prejuízos e fracassos.
A vasta e quase inimaginável compaixão contida nessas linhas deixou-o estarrecido, e ele saiu à procura do mestre que as havia escrito. Um dia, nessa sua jornada, deparou-se com um leproso que lhe contou que aquele mestre havia morrido. Mas Geshe Chekhawa prosseguiu e seus contínuos esforços foram premiados quando encontrou o principal discípulo do mestre morto. O Geshe perguntou-lhe: “Qual a importância do ensinamento contido nessas duas linhas?” O discípulo respondeu: “Goste disso ou não, você terá de praticar esse ensinamento se de fato quer obter o estado búdico”.
A resposta espantou Geshe quase tanto quanto sua primeira leitura das duas linhas, e ficou com esse discípulo por quatorze anos para estudar esse ensinamento e fazer a prática do Tonglen que é a sua aplicação. Durante esse tempo, Geshe Chekhawa teve de enfrentar muitos tipos e diferentes de provas: toda sorte de dificuldades, críticas, rigores e até violência. E o ensinamento era tão eficiente, e sua perseverança na prática tão intensa, que após seis anos ele havia erradicado do seu íntimo toda forma de valorização do eu e apego ao eu. A prática do Tonglen transformara-o num mestre de compaixão.
De início, Geshe Chekhawa ensinou o Tonglen somente para alguns discípulos próximos, pensando que funcionaria apenas para quem tivesse grande fé nele. Depois, passou a ensiná—lo para um grupo de leprosos. Naquele tempo a lepra era comum no Tibete e os médicos não sabiam como tratá-la. Mas muitos leprosos que fizeram a prática do Tonglen ficaram curados. Essa notícia se espalhou depressa e outros leprosos vieram em grupos à sua casa, que ficou parecendo um hospital.
Mesmo assim, Geshe Chekhawa não ensinava o Tonglen para todos. Foi só quando notou seu efeito em seu irmão que começou a torná-lo mais público. Esse irmão era um cético inveterado que ridicularizava todas as formas de prática espiritual. No entanto, quando percebeu o que estava acontecendo com os leprosos que praticavam o Tonglen, não pôde deixar de se impressionar. Um dia ele se escondeu atrás da porta para ouvir Geshe Chekhawa percebeu que a rude natureza de seu irmão estava se suavizando, imaginou o que acontecera.
Se a prática funcionava em seu irmão, pensou, e chegava até a transformá-lo, funcionaria e transformaria qualquer outro ser humano. Isso convenceu Geshe Chekhawa a ensinar o Tonglen a muito mais gente. Ele mesmo jamais deixou de praticá-lo. No fim de sua vida, Geshe Chekhawa dizia a seus estudantes que por longo tempo estivera orando com fervor para renascer nos reinos infernais, de modo a poder auxiliar todos os que ali sofriam.
Infelizmente, acrescentou que sonhos recentes lhe indicavam que renasceria num dos reinos dos budas. Por isso estava amargamente desapontado e pedia aos seus discípulos, com lágrimas nos olhos, que rezassem aos budas para que tal coisa não acontecesse, e fosse atendido seu apaixonado desejo de ajudar os seres no inferno.
COMO DESPERTAR O AMOR E A COMPAIXÃOAntes que possa praticar o Tonglen, você tem de estar pronto a evocar em si mesmo a compaixão. Isso é mais difícil do que normalmente imaginamos, porque as fontes do nosso amor e compaixão estão às vezes ocultas para nós, e podemos não ter acesso fácil a elas. Felizmente, no treinamento budista da mente na compaixão, há várias técnicas especiais que têm por objetivo evocar nosso amor oculto. Da enorme série de métodos disponíveis, escolhi os que se seguem e ordenei-os de um modo particular para torná-los úteis ao maior número possível de pessoas no mundo moderno.

1. Amor e bondade descerrando o manancial.
Quando acreditamos que não existe em nós amor suficiente, há um método para descobri-lo e invocá-lo. Recue na sua mente e recrie, quase visualize um amor que alguém lhe deu o que realmente o tocou, talvez na infância. Tradicionalmente, você é ensinado a pensar em sua mãe e na devoção que ela tem por você por toda a vida, mas se isso lhe parece problemático pense na sua avó, no seu avô ou ainda em alguém que tenha sido profundamente bondoso e dedicado a você em sua vida. Lembre-se de um instante particular em que você foi amado e sentiu esse amor vividamente.

Deixe agora que aquela sensação surja outra vez em seu coração, infundindo gratidão em você. À medida que faz isso, seu amor irá naturalmente para a pessoa evocada. Verá então que, embora nem sempre sinta que foi suficientemente amado, você o foi de fato. Saber disso fará com que de novo se sinta digno do amor e realmente amado, como aquela pessoa o fez sentir-se.

Permita que seu coração se abra agora, e deixe que dele flua o amor, estenda-o então a todos os seres vivos. Comece pelos que lhe estão mais próximos, e depois leve-os aos amigos e conhecidos, aos vizinhos, a estranhos, àqueles de quem não gosta ou com quem tem dificuldades, ismo os que considera seus “inimigos”, e finalmente estenda-o todo o universo. Deixe que esse amor se torne cada vez mais sem fronteiras. A equanimidade é, juntamente com o amor, a compaixão e a alegria, um dos quatros aspectos essenciais daquilo que, segundo os ensinamentos, constitui a aspiração da compaixão na sua totalidade. A visão todo-abrangente e sem preconceito da equanimidade é o ponto de partida e o fundamento do caminho da compaixão.

Você verá que essa prática descerra uma fonte de amor e essa revelação da bondade amorosa em você inspirará o nascimento da compaixão. Como disse Maitreya num dos seus ensinamentos a Asanga: “A água da compaixão flui pelo canal da bondade amorosa”.

2. Compaixão: considerando-se igual aos outros
Um meio poderoso de evocar a compaixão, como descrevi no capítulo anterior, é pensar nos outros como exatamente iguais a você. “Afinal”, explica o Dalai Lama, “todos queremos a felicidade e queremos evitar o sofrimento. E mais: temos igual direito à felicidade. Em outras palavras, é importante perceber nossa igualdade como seres humanos.

Digamos, por exemplo, que você está tendo dificuldades com uma pessoa querida como sua mãe ou seu pai, marido ou mulher, namorado ou amigo. Como pode ser útil e revelador considerar a outra pessoa não no seu “papel” de mãe, pai ou marido, mas simplesmente como um outro “você”, um outro ser humano com os mesmos sentimentos que você, o mesmo desejo de felicidade e o mesmo medo de sofrer. Pensar nessa pessoa como uma pessoa real, exatamente como você mesmo, fará que seu coração se abra para ela dando-lhe mais elementos para ajudá-la.

Considerar os outros como iguais a você vai ajudá-lo a abrir para os seus relacionamentos e dar-lhes um sentido novo e mais rico. Imagine se as sociedades e nações começassem a ver as coisas desse mesmo modo: finalmente teríamos o início de uma base sólida par a paz na Terra e a feliz coexistência de todos os povos.

3. Compaixão: pondo-se no lugar dos outros
Quando alguém está sofrendo e você se sente perdido, sem saber como ajudar, coloque-se resolutamente no lugar dele. Imagine da maneira mais viva possível o que estaria passando se estivesse sofrendo a mesma dor. Pergunte-se “Como eu me sentiria?” Como haveria de querer que meus amigos me tratassem? Que desejaria mais deles?”Quando se colocar desse modo no lugar de outras pessoas, você transfere diretamente seus cuidados do foco habitual – você próprio – para outros seres. Assim, pôr-se no lugar do outro é um meio muito poderoso de livrar você do domínio da valorização do eu e do apego do ego a si mesmo, e assim libera a essência da sua compaixão.

4. Usando um amigo para gerar compaixão.

Outro modo eficiente de gerar compaixão por uma pessoa que está sofrendo é imaginar um dos seus amigos mais queridos, ou alguém que de fato você ama, no lugar daquela pessoa.

Imagine o seu irmão, a sua filha ou seu melhor amigo no mesmo tipo de situação dolorosa. Muito naturalmente seu coração se abrirá e a compaixão despertará em você. O que mais você desejaria do que libertar esse ente querido do seu tormento? Agora tome essa compaixão que se gerou no seu coração e transfira-a para a pessoa que precisa da sua ajuda: verá que consegue ajudá-la com uma inspiração mais natural e que pode orientar melhor essa ajuda.

As pessoas às vezes me perguntam: “Se fizer isso, o amigo ou parente que estou imaginando em estado de sofrimento pode sofrer algum mal?” Ao contrário, pensar nele com tal amor e compaixão só pode beneficiá-lo e até ocasionar a cura de alguma dor ou sofrimento passado, presente ou futuro. Por que o fato de ser instrumento de sua compaixão nascente, mesmo que somente por um instante, vai trazer-lhe apenas mérito e benefício. Sendo em parte responsável pela abertura do seu coração e por ter-lhe permitido ajudar com sua compaixão uma pessoa doente ou prestes a morrer, o mérito dessa ação retornará para ele de modo natural.

Você também pode dedicar mentalmente o mérito daquela ação ou seu amigo ou parente que o ajudou a abrir o coração. Pode desejar o bem a essa pessoa e orar para que no futuro ela se livre do sofrimento. Você sentirá grato àquele amigo e também ele pode se sentir inspirado e agradecido, se contar a ele ou ela que ajudou você a evocar a sua compaixão.

Dessa forma, perguntar: “Será que o amigo ou parente que estou imaginando no lugar do doente ou do que está para morrer pode sofrer prejuízo por isso?” – indica que não entendemos o quão poderoso e até miraculoso é o trabalho da compaixão. Ela abençoa e cura todos os envolvidos: a pessoa que gera a compaixão, a pessoa através da qual a compaixão é gerada e a pessoa para quem a compaixão é dirigida. Como diz Torcia no Mercador de Veneza, de Shakespeare:

A excelência da misericórdia nunca é maculada,
Como a delicada chuva, vinda do céu
Sobre a aldeia abaixo: duplamente abençoada.
Abençoa aquele que a dá e aquele que a recebe.

A compaixão é a joia-que-realiza-desejos, cujo brilho curativo se expande em todas as direções.

Há uma linda história da qual muito gosto e que ilustra isso. O Buda referiu-se uma vez a uma de suas vidas prévias, antes de se tornar iluminado. Um grande imperador tinha três filhos e o Buda era o mais novo, chamado então Mahasatva. DE natureza amorosa e compassiva era um garotinho que pensava em todas as coisas vivas como seus filhos.

Um dia o imperador e sua corte foram a um piquenique numa floresta e os príncipes entraram nos bosques para brincar. Pouco depois apareceu uma tigresa que havia acabado de dar cria, tão exausta e faminta que estava a ponto de comer os próprios filhotes Mahasatva perguntou aos irmãos: “O que ela precisa comer agora para se reanimar?”

- “Só carne fresca e sangue”, responderam.
- “Quem daria sua carne e o próprio sangue para vela alimentada e salvar sua vida e a dos seus filhotes?”, perguntou.
- “É, quem daria?”, responderam.

Mahasatva estava profundamente comovido com o apuro do animal e dos seus filhotes e começou a pensar: por tanto tempo tenho vagado inutilmente através do samsara, vida após vida, e por causa do meu desejo, minha raiva e minha ignorância, pouco fiz para ajudar outros seres. “Aqui está finalmente uma grande oportunidade”.

Os príncipes estavam voltando para junto da família quando Mahasatva disse: Vocês dois podem ir andando. Depois vou encontrá-los. Tranquilamente, aproximou-se da tigresa, e se deitou no chão diante dela, oferecendo-se como alimento. Ela olhou para ele, mas estava tão fraca que mal podia abrir a boca. O príncipe encontrou um graveto afiado e fez um corte profundo no próprio corpo; o sangue correu, a tigresa lambeu-o e se sentiu mais forte para abrir suas mandíbulas e comer o menino.

Mahasatva deu seu corpo para a tigresa a fim de salvar os seus filhotes; pelo grande mérito da sua compaixão renasceu num reino mais alto e progrediu na direção da sua iluminação e do seu renascimento como o Buda. Mas não foi só a si mesmo que ele ajudou através dessa compaixão também purificou a tigresa e as crias do seu carma, e mesmo de alguma dívida cármica que pudessem ter como ele por ter salvado suas vidas do modo como salvou. Pelo fato de ser tão forte a sua ação compassiva, criou entre eles um ele cármico que continuaria muito longe no futuro. A tigresa e seus filhotes que receberam a carne do corpo de Mahasatva renasceram, segundo se conta, como os primeiros cinco discípulos do Buda, os primeiros a receber ensinamentos depois da sua iluminação. Que notável visão essa história nos dá sobre a vastidão e mistério do poder da compaixão.


5. Como meditar sobre a compaixão

Mas como já dissemos, evocar esse poder da compaixão em nós nem sempre é fácil. Para mim, as maneiras mais simples e melhores de chegar lá são as mais diretas. A cada dia a vida nos oferece inúmeras oportunidades de abrirmos o coração, se soubermos aproveitá-las. Uma mulher idosa passa a seu lado com semblante entristecido, veias inchadas nas pernas e duas sacolas plásticas cheias de compras que ela com dificuldade vai carregando; um velho de roupas surradas se arrasta à sua frente na imensa fila do correio; um menino de muletas, oprimido e ansioso, tenta atravessar uma rua de tráfego pesado no final da tarde; um cão sangra até a morte numa estrada; uma menina sozinha soluça histericamente no metrô. Ligue a televisão e no noticiário uma mulher, ajoelhada na Rua de Beirute, chora talvez a morte do filho assassinado; ou uma velha avozinha em Moscou toma sopa e olha a rua sem saber se amanhã vai ter o que comer; ou uma das crianças com AIDS, da Romênia olha para você com seus olhos fundos e sem qualquer expressão de vida.

Qualquer uma dessas cenas pode abrir os olhos do seu coração para o fato do vasto sofrimento do mundo. Deixe que isso aconteça. Não desperdice o amor e o pesar que nascem delas; no momento em que sente a compaixão emergindo de você, não a afaste para o lado, não se faça de indiferente nem tente voltar ao “normal”; não tenha medo dos seus sentimentos nem fique constrangido com eles, e não permita que a habitual distração se imponha ou o paralise na apatia. Seja vulnerável: use momento rápido e brilhante de compaixão; ponha-a no foco, vá fundo no seu coração e medite sobre ela, desenvolva-a, intensifique-a e aprofunde-a até onde puder. Ao fazer isso perceberá quão cego tem sido diante do sofrimento, e o quanto a dor que tem experimentado ou visto é só uma minúscula fatia da dor que vai pelo mundo. Todos os seres, em toda parte, sofrem. Deixe que seu coração chegue até eles numa compaixão espontânea e incomensurável e dirija essa compaixão, com a bênção de todos os budas, para o alívio do sofrimento em toda parte.

A compaixão é uma coisa muito maior e mais nobre do que sentir dó. Quando você sente dó, as razões desse sentimento estão deitadas no medo e num sentimento de arrogância e condescendência, às vezes até um presunçoso “ainda abem que isso não é comigo”. Como disse Stephen Levine: “Quando seu medo toca a dor de alguém, torna-se piedade, quando seu amor toca a dor de alguém, torna-se compaixão”. Treinar a compaixão, assim, é saber que todos os seres são iguais e sofrem de modo similar, é respeitar todos os que sofrem e saber que não se é nem separado nem superior a eles.

Assim, sua a primeira resposta ao ver alguém sofrendo não será de simples dó, mas de profunda compaixão. Você sente por essa pessoa respeito e até gratidão, pois sabe que todos aqueles que através do próprio sofrimento o estimulam a conhecer a compaixão estão de fato ofertando-lhe o maior dos presentes, pois o ajudam a desenvolver a verdadeira virtude de que mais precisa no seu progresso rumo à iluminação. É por isso que dizemos no Tibete que o mendigo que lhe pede dinheiro ou a velhinha doente que lhe dá aperto no coração podem ser budas disfarçados, manifestando-se no seu caminho para ajudá-lo a conquistar a compaixão e assim levá-lo ao estado búdico.


6. Como dirigir sua compaixão
Quando você meditar com suficiente profundidade sobre a compaixão, surgirá no seu íntimo uma forte determinação de aliviar o sofrimento de todos os seres e um sentido agudo de responsabilidade em relação a esse nobre fim. Há dois caminhos, então, para dirigir mentalmente essa compaixão e torná-la ativa.
O primeiro caminho é orar para todos os budas e seres iluminados, do fundo do coração, pedindo que tudo o que faz – todos seus pensamentos, palavras e ações – traga apenas benefícios aos seres, fazendo-os felizes. Nas palavras de uma grande prece: 

“Abençoe-me fazendo com que eu seja útil. Ore para poder beneficiar todos aqueles que se aproximarem de você, ajudando-os a transformar o sofrimento e a vida.

O segundo e universal caminho é dirigir toda compaixão que sinta para todos os seres, dedicando todas suas ações positivas e práticas espirituais ao bem-estar deles, especialmente para que possam atingir a iluminação. Porque quando você medita profundamente sobre a compaixão, nasce no seu interior a compreensão de que o único meio de dar ajuda completa aos outros será você atingir a iluminação. Nascem daí forte determinação e sentimento de responsabilidade universal, bem como o desejo compassivo de obter a iluminação para o benefício de todos os outros.

Esse desejo compassivo tem em sânscrito o nome de Bodhicitta. Bodhi significa “nossa essência iluminada” e citta quer dizer “coração”. Assim, podemos traduzir a palavra como “coração da nossa mente iluminada”. Despertar e desenvolver o coração da mente iluminada é amadurecer com equilíbrio e segurança a semente da nossa natureza búdica, aquela semente que no fim – quando nossa prática da compaixão se tornar perfeita e abranger tudo – florescerá majestosamente no estado búdico. Bodhicitta é, então, a fonte, a origem e a raiz de todo o caminho espiritual. Por isso oramos na nossa tradição com tanta insistência:

Aqueles que ainda não geraram a preciosa Bodhicitta,
Possam gerá-la
Aqueles que já a geraram,
Possa sua bodhicitta nunca diminuir, mas
Expandir-se mais e mais

Eis porque Shantideva louvou a Bodhicitta com tanta alegria:

É o elixir supremo
Que vence a soberania da morte
É o tesouro inexaurível
Que elimina a pobreza do mundo.
É o remédio supremo
Que Poe fim à doença do mundo.
É a árvore que a todos os seres abriga
Errantes e cansados no caminho da existência condicionada
É a ponte universal
Que leva à libertação dos estados infelizes de nascimento
É a lua que desponta na mente
E dispersa a tormenta das concepções perturbadas. É o grande sol que afinal afasta
A obscura ignorância do mundo.

(Sogyal Rinpoche – fls. 249 a 259 – O Livro Tibetano do Viver e do Morrer)

http://yinyangmother.com/meditation-march-into-awesome-april/

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

"Como é que nós nos tornamos naquilo em que acreditamos? Talvez isso comece com a aceitação de que já estamos vivendo aquilo em que acreditamos - Talvez só não seja o que gostávamos de acreditar."
Gloria Karpinski
"Cada momento de autodomínio sobre a crueldade, o egoísmo e a indiferença vai desfazendo um pouquinho mais da nossa ilusão de separatividade. Os sacrifícios de amor feitos pelos pais para educar um filho; a batalha vencida pela integridade nos negócios; a coragem de enfrentar as adversidades sem amargura - Esse é o estofo da iniciação."
Gloria Karpinski
"O caminho da iniciação consciente é o caminho da responsabilidade em relação ao eu. Ele é diferente do caminho fortuito do aspirante não-iniciado que pode ter momentos de êxtase com o espírito, mas ao sair deles retoma uma vida caótica. O caminho da iniciação também pode ter os seus momentos de êxtase, mas também é necessário que o iniciado aprenda a participar inteiramente nas questões diárias enquento retem a perspectiva mais ampla dos ensinamentos.
(...)
O que os aspirantes precisam de aprender é a não serem empurrados nesta ou naquela direção por impulsos momentâneos, mas, antes, escolher com cuidado.
(...)
Cada momento, cada interação, cada relacionamento, cada sucesso ou fracasso oferece-nos a oportunidade de aprender mais a respeito de quem somos e porque estamos aqui."
Gloria Karpinski

Leituras...

"A questão não ém fazer alguma coisa. O que importa é compreender quem você é. E quando você compreender e se tornar quem você é, vai, literalmente, alterar as vibrações de tudo no seu ambiente."
Gloria Karpinski